Essa é pro senhor
- Bárbara Maia - Texto e foto
- 31 de mai. de 2015
- 1 min de leitura
Assanhado abomina o pronome
E me trata a sorriso flamejante
Não mais senhor, da minha boca só doçura
Pros teus lábios instigantes
Logo tão soltos, inflamados, empurrados
Pras distâncias tão sinceras
Deslizando para além da vaidade fomos
O que ninguém era
Vem cá, seu moço, senta aqui
Bem juntin
Me roça a pele e diz se é ruim
Diz se é ruim, diz se é ruim
Surpresa! Surge então todo alinhado
Tal senhor que me antes foi negado
Botando ordem no terreiro, transmutado
Segue reto e muda o lado
É medo? É confusão mental?
O tal condena agora a verdade
Que com tanto gosto dei
Diz que prazer é terra que moça não pisa
E que só veio pressas bandas
Porque muito reclamei
Vem cá, seu moço, senta aqui
Bem juntin
Me roça a pele e diz se é ruim
Vem cá seu moço, lembra as portas que chutamos
Avenidas alargadas com o trator do querer
Escuta bem, negar não mobiliza
Nem atiça o que cê viu
Sem nem querer
Viver em caixa é coisa pra sapato e penso
Que não serve para mim
Como não presta pra você
Vem cá, seu moço, senta aqui
Deixa essa merda de moral de outros tempos
Que o tempo só faz envelhecer
Segue meus dias que eu mordo seus minutos
Te acordo lindo e mudo e te ensino a aprender
Vem cá, seu moço.
