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alcova.

.o descaso do vestido.

Visto 
o mesmo vestido 
faz três dias.
Vestida
me vem cada vez
que dele me desvestiu. 

Sobre amar.

das linhas do querer

O percurso do seu pelo crespo
guardado 
grudado
nos meus cachos. 
Liberto escorre pelo meu corpo
no transcorrer das águas quentes 
que me lavam.
Os fios da memória lhe traziam
e me levavam, 
lá, onde eu nem sei 
se me vigiava. 
Você, 
que me conduz longe
em cadência forte,
repete estreito 
o que aqui me gasta.

 

 

A curva roxa
da gota na garrafa
em meio ao silêncio
de uma estrada turva
de passadas tortas
de mentiras porcas
que sua verdade vaidosa
ruidosa
repetidamente ecoava.
E as linhas dos olhos machucados
que se fogem
que se fodem
na espiral do mal querer
de uma querência maldita
que se arrasta
nas malhas do medo
do amor que não se basta
acossado por desejos
todos
poucos
mal cuidado por mãos pesadas

Do meu entender se aparta
o que me desvia e me guarda
querendo só ser e ver
o que a vida traça
sem mais medo de doer
mais
com mais medo de machucar
mais
e uma vontade que o tempo trespassa
me desentendendo 
o que me aguarda
nas esquinas de onde eu nem sei 

nos desvãos do amor

I

secretamente vou compondo nossa trilha sonora
você contém e eu transbordo
você me invade e eu imploro
que deslizes mais seus olhos pra dentro e fora de mim
te aguardo
me guarde
volte quando quiser
e eu quero que queira. 
quem traí a quem?
a vida se se recusa a ela
ao outro, se por ele (não) se recusa a vida?
como recusar a revolução
que seus olhos me provocam?
balada de bombas
minha guerra festiva
meu ressignificar
minha contradição 
fratura exposta
minha afirmação

___

II

quando pode e quer vem
e quando vem 
me esquenta com os olhos
meus músculos todos 
que suam e choram 
chamam, pedem
te imploro inteira
cuido de não marcar sua superfície
enquanto me esfolo
diferentes medidas de nós, temos 
nos dias que se seguem 
deslizam rígidos, os músuculos, 
guardam te
se emocionam sem pesar
assim, aqui estás.
e quando mais quis, esteve. 
Não há o que mais querer. 
E a vontade não falta.
cada fibra minha vibra
não marco seu corpo
como me marcas
para que queiras e volte
mas me olhas como fazes
porque estás também marcado

me emociono e choro

Sob seus olhos

Minhas lágrimas densas deslizam

Entre elas, trêmulas

Que lhe desejam 

Mas não lhe apertam

Pela falta do seu querer.

Eu me emociono

e até ela chora

sem você pra consolar.

E ele, desejo, 

ainda não me falta.

BÁRBARA
MAIA

conto & poesia/fotografia/performances

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